sábado, julho 24, 2021

Quadro do “Tá No Ar” desagrada Record TV que divulga nota de repudio à Marcelo Adnet

O repúdio da emissora foi publicizado através de um texto disponibilizado no site oficial da casa.

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Na última terça-feira (10), o programa “Tá No Ar: A TV na TV”, da Rede Globo, levou ao ar mais um quadro satirizando o mundo evangélico, e isso causou repúdio à cúpula da Record TV.

De acordo com o jornalista Ricardo Feltrin, colunista de UOL, o quadro que causou revolta foi exibido na terça-feira na Globo, e se chamava “Shark Temple”. Tratou-se de uma paródia do famoso reality de negócios “Shark Tank”, que estreou em 2009 nos EUA e que hoje pode ser visto na TV paga, no canal Sony (foi exibido pela Band em 2017). No reality tradicional, um grupo de empresários milionários assiste a apresentações de inventores e empreendedores, de gente comum que tenta vender uma parte de seus negócios a empresários ricaços (tubarões), para poder crescer. Na paródia de Adnet, porém –que pode ser vista no serviço de streaming Globo Play–, o “empreendedor” era um religioso dono de uma igreja (daí o “temple” do título), relatou o jornalista que também detalhou a produção:

“Entre outros argumentos de seu discurso, o religioso mostrava aos milionários (todos também caricatos, inclusive um príncipe árabe) como estava fazendo sucesso e cada vez mais milionário “vendendo ilusões, ou o impalpável” (a fé)”, reportou.

“No final do quadro, os tubarões se interessam muito pelo “negócio”, mas descobrem horrorizados que o demonstrador não está lá para vender uma parte da sociedade, e sim comprar as empresas de todos eles”, disse.

O repúdio da emissora foi publicizado através de um texto disponibilizado no site oficial da casa.

Veja na íntegra:

O mundo do futebol e o da música têm características convergentes. O talento nato, que faz surgir fenômenos, é um deles. Outro ponto em comum é o profissional fugaz. Aquele de uma só melodia de sucesso, de uma única partida brilhante. Depois, evaporam no anonimato. O declínio vem na mesma velocidade da frustração.

Marcelo Adnet, que surgiu como craque do humor e maestro do improviso, conhece bem a sensação do declive. E não soube lidar com ela.

O comediante despontou na MTV como um fenômeno, um showman, com a pretensa capacidade de reinventar a televisão. Era 2008. Ganhou alguns elogios da crítica e do público. Chamou a atenção da TV Globo, onde já havia feito pontas em programas de humor e novelas. Sabe aquele jogador que é formado na base de clube grande, é emprestado para um time menor, faz uns dois gols bonitos e volta com pinta de craque? A Globo caiu no canto.

Desde 2013, Adnet passeia pelo Jardim Botânico. O máximo de capacidade que conseguiu demonstrar foram algumas frases em servo-croata, língua que estudou por ter se encantado com a história da Bósnia, país do leste europeu que passou por uma sangrenta guerra no início dos anos 90. Em 2014, durante a Copa do Brasil, Adnet aproveitou a inesperada participação da Bósnia-Herzegovina no Mundial e desfilou suas gracinhas em diversos programas da Globo.

De lá para cá, o resultado no ar foi um constante 7 a 1. Contra o telespectador. O comediante virou uma caricatura, uma cópia pálida quase apagada do que poderia ter sido. Perdeu a graça, a verve, tentou formatos, piadas, mas nada, nada absolutamente deu certo.

O seu programa, o Tá No Ar, é constrangedor. Uma cópia pirata de TV Pirata(ok, desculpem-me pela piada nível Tá No Ar). Com o exibido ontem, foram 53 programas e zero repercussão. Poucas esquetes ganharam espaço na mídia especializada e nas redes sociais, exatamente aquelas que foram moldadas a partir do surrado expediente de artista em decadência: a apelação. Parece não ter aprendido com a condenação judicial por humilhar, em 2011, quem tem autismo. Em nome do humor e do que trata como liberdade de expressão, Adnet resolveu promover o ódio e a segregação, especialmente a de caráter religioso.

É uma estratégia arriscada e nada inteligente de quem não tem dom para reverter a relação com o público. Não sabe como agir, não tem maturidade para lidar com a adversidade. Adnet perdeu a capacidade de dialogar com o telespectador, de reavivar aquela paixão antiga. Buscou a apelação, uma fuga, e traiu o seu público em praça pública. É um elo que se quebra, difícil de perdoar. O telespectador não merece ficar com Adnet.

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