A Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp) da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), atendendo a requisição do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou inquérito no corpo do qual foram deflagradas medidas cautelares em face de vereadores da Câmara Municipal do Cabo de Santo Agostinho e seis outras pessoas, todos suspeitos da prática de crimes de peculato e associação criminosa. Os parlamentares, investigados pela Operação Ghost, teriam envolvimento em repasse irregular de salários para servidores comissionados, os quais seriam funcionários fantasmas e seriam obrigados a repassar a maior parte desses salários para os parlamentares.

A Operação, resultado de investigação capitaneada pelo MPPE, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão. Os agentes de polícia estiveram na sede do Legislativo municipal e em residências dos vereadores e dos servidores investigados, apreendendo computadores, celulares, tablets, CPUs, arma de fogo e documentos.

“Na apuração da denúncia começamos a colher elementos muito contundentes da existência de funcionários fantasmas. Acionamos a Polícia Civil para que houvesse a colheita de provas que indicaram prontamente que cinco vereadores mantiveram ou mantém, pelo menos, seis funcionários fantasmas, resultando no desvio de verbas públicas de sua destinação legal, em proveito próprio”, disse a promotora de Justiça do caso, Alice de Oliveira Morais. Cerca de 80 policiais foram empregados na ação policial.

A Ghost é a 48ª operação de repressão qualificada deflagrada este ano, em Pernambuco. “O peculato existe em várias modalidades, o que estava sendo realizado é o peculato desvio, quando o funcionário recebe o salário, mas não dá a contrapartida de trabalhar e se apoderando do dinheiro público sem a devida prestação do serviço e os vereadores são coniventes com isso”, disse a delegada da Decasp, Patrícia Domingos.

Segundo a polícia, esta é a primeira fase da investigação, que busca coletar provas para embasar o inquérito. Não houve prisões. “Foi feito um pedido de bloqueio de bens, destinado ao ressarcimento do dano causado pela prática do crime. Solicitamos, ainda, a perda dos bens obtidos com o dinheiro público. Não temos ainda o valor total do desvio, pois todo o material ainda está em análise”, relatou o promotor de Justiça, Henrique Souto Maior.

“Temos provas concretas nesses casos, temos suspeita em relação a outros casos e a investigação vai continuar para apurar outros possíveis casos. Nossa missão é agir, coibir e prevenir possíveis práticas”, finalizou Alice.

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